Reserva Natural das Berlengas: fauna, flora e como reservar bilhetes Berlengas

Abril 18, 2025

A Reserva Natural das Berlengas não é só um destino com águas cristalinas. É uma das áreas protegidas mais importantes da costa portuguesa, classificada como Reserva da Biosfera da UNESCO desde 2011 e protegida desde 1465. Quem visita pela primeira vez fica surpreendido com a quantidade de espécies endémicas que se encontram numa ilha tão pequena.

Se gostas de natureza, este é um dos sítios mais especiais que podes visitar em Portugal. Antes da viagem, lembra-te que o acesso é controlado: precisas de Berlenga Pass e de bilhetes Berlengas reservados com antecedência.

A Reserva Natural das Berlengas é uma área protegida criada para preservar o arquipélago localizado a cerca de 10 km a oeste de Peniche. Foi formalmente classificada em 1981 e abrange tanto a parte terrestre (ilha da Berlenga, ilhéus das Estelas e Farilhões) como a zona marinha envolvente.

A proteção desta zona é antiga: já em 1465, o rei D. Afonso V proibiu qualquer ação que pudesse prejudicar a natureza no território. Em 2011, a UNESCO reconheceu a importância ecológica da área, classificando-a como Reserva da Biosfera, distinção dada apenas a zonas com elevado valor natural e cultural.

A vegetação da ilha da Berlenga é baixa, resistente e cheia de cor. Por causa dos ventos fortes e da salinidade do solo, não existem árvores de grande porte. Em vez disso, predominam plantas rasteiras e arbustos adaptados a condições exigentes.

Entre as espécies mais conhecidas estão três plantas endémicas, ou seja, que só existem aqui:

  • Arméria das Berlengas (Armeria berlengensis), com flores cor-de-rosa em pequenas almofadas.
  • Pulicária das Berlengas (Pulicaria microcephala), com folhas pequenas e flores amarelas.
  • Herniária das Berlengas (Herniaria berlengiana), com folhas suculentas que retêm água.

Durante a primavera, a ilha ganha uma cor totalmente diferente, com flores silvestres por todo o lado. É a melhor altura para fotografar a flora, sobretudo entre abril e junho.

A fauna está fortemente associada às aves marinhas, mas há mais para descobrir.

Aves marinhas e nidificação

A primeira coisa que vais notar ao chegar à ilha são as gaivotas-de-patas-amarelas (Larus michahellis), que dominam o território e nidificam em grande número. Mas há mais espécies importantes:

  • Cagarra (Calonectris borealis), uma ave marinha que passa o dia em alto mar e regressa à ilha à noite.
  • Galheta ou corvo-marinho-de-crista (Phalacrocorax aristotelis), frequentemente avistada junto às grutas e zonas rochosas.
  • Pardela-de-bico-amarelo e andorinha-do-mar, espécies que usam a ilha em diferentes alturas do ano.
  • Roque-de-Castro (Hydrobates castro), pequena ave marinha que voltou a nidificar aqui após anos de ausência, em resultado direto dos projetos de conservação.

A passagem de aves migratórias durante o outono e a primavera faz da ilha um dos melhores locais em Portugal para birdwatching, ou seja, observação de aves no seu habitat natural.

Répteis e insetos

A ilha alberga também pequenos lagartos adaptados ao solo rochoso, em especial a lagartixa-de-Carbonell, e vários insetos que servem de base alimentar a parte da fauna.

Vida marinha e peixes

Por baixo da água, a Reserva Natural protege populações de mero, cherne, sargo e polvo, além de bancos de algas e formações coralinas. A visibilidade da água, que ultrapassa muitas vezes os 10 metros, faz das Berlengas um dos melhores spots de mergulho da costa portuguesa.

Durante muitos anos, espécies introduzidas pelo ser humano, como coelhos e ratos, colocaram em risco o equilíbrio natural da ilha. Estas espécies, chamadas invasoras porque não são originárias do território, predavam ovos de aves marinhas e destruíam vegetação endémica.

Graças a projetos de conservação coordenados pelo ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), as espécies invasoras foram erradicadas, permitindo à fauna e flora autóctones (originárias da ilha) recuperar o seu espaço. O regresso do roque-de-Castro como espécie nidificante é um dos resultados mais visíveis desse trabalho.

A capacidade máxima de visitantes na ilha está fixada em 550 pessoas em simultâneo, precisamente para manter este equilíbrio. É por isso que o Berlenga Pass é obrigatório e tem vagas limitadas por dia.

O passeio de barco pelas grutas não é apenas uma experiência visual. É também uma oportunidade para observar a vida marinha, perceber os ecossistemas submarinos e conhecer a geologia da ilha.

Em formações como a Furada Grande, a Cova do Sonho e a Tromba do Elefante, vês como a erosão do mar, ao longo de milénios, esculpiu o granito da ilha. Em barcos com fundo de vidro, é possível observar peixes e algas no próprio percurso, sem entrar na água.

Para fazer este passeio, precisas de uma operadora marítima com embarcação preparada, como a Berlenga Tours, que tem a Ubere, barco com fundo de vidro com capacidade para 9 pessoas.

Visitar uma área protegida implica regras simples mas importantes. Eis o que pedimos a quem vai à ilha:

  • Manter-te nos trilhos pedestres, para não danificar plantas endémicas que crescem fora do percurso.
  • Não tocar nem alimentar a fauna, em especial aves, lagartos e peixes.
  • Não recolher plantas, conchas, rochas ou outros elementos naturais, que fazem parte do equilíbrio da ilha.
  • Levar todo o lixo de regresso a Peniche, mesmo o que parece pequeno (caroços de fruta, beatas, pontas de plástico).
  • Respeitar os sinais de zonas restritas, criados para proteger colónias de aves nidificantes.

Quem segue estas regras garante que a Reserva Natural das Berlengas continua a ser visitável nas próximas décadas.

Em três passos:

  1. Escolhe a data, idealmente entre maio e junho ou em setembro, quando a flora endémica está mais visível e a ilha tem menos visitantes.
  2. Compra o Berlenga Pass no site do ICNF em berlengaspass.icnf.pt, assim que tiveres a data definida.
  3. Compra os bilhetes Berlengas com a Berlenga Tours, idealmente num programa que inclua visita às grutas para veres a parte marinha da Reserva Natural.

Reserva já a tua viagem com a Berlenga Tours e descobre uma das áreas naturais mais bem preservadas de Portugal.

O que é a Reserva Natural das Berlengas?

É a área protegida que abrange o arquipélago das Berlengas (ilha da Berlenga, ilhéus das Estelas e Farilhões) e a zona marinha em redor. Foi classificada formalmente em 1981 e é Reserva da Biosfera da UNESCO desde 2011.

Que espécies endémicas existem nas Berlengas?

Pelo menos três plantas só existem aqui: Arméria das Berlengas, Pulicária das Berlengas e Herniária das Berlengas. Há também animais com populações importantes, como o roque-de-Castro e a galheta.

Posso fazer birdwatching na Reserva Natural?

Sim, é uma das melhores zonas em Portugal para observação de aves marinhas. As épocas mais ricas são a primavera (nidificação) e o outono (passagem de migratórias).

Quais as regras para visitar a Reserva Natural?

Manter-se nos trilhos, não interferir com a fauna, não recolher plantas ou outros elementos naturais e respeitar zonas restritas. O acesso depende ainda do Berlenga Pass, com limite de 550 pessoas em simultâneo na ilha.

O que não pode faltar na sua visita às Berlengas

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